Por
Gevan Oliveira
"O
homem criou Deus para que Deus o criasse".
A frase inaudita foi proferida no primeiro dia de aula
da disciplina "História da Cultura" da
faculdade de Jornalismo de uma determinada universidade
federal do país.
A
infelicidade do professor tinha o objetivo de
"quebrar alguns paradigmas existentes no
subconsciente de cada um". Sendo assim, livres das
amarras religiosas, repassadas tradicionalmente de geração
a geração, pensava, todos estariam aptos para discutir
qualquer assunto.
Ele
acabara de afirmar que "Deus nada mais é que um
subterfúgio para os fatos que não podemoss explicar na
vida" (como a morte, por exemplo,) e que nós O
aceitávamos por falta de algo, digamos, "mais
racional".
Naquele
momento, senti que seria um semestre desafiador. E como
foi. Logo me denuncie como cristão evangélico e, em
seguida, mais uma abençoada surgia para formar o coreto
(na verdade, apenas um dueto - este, as vezes, é mais
um problema que deve ser combatido e Jesus adverte:
Mas qualquer que me negar diante dos homens, também eu
o negarei diante de meu Pai, que está nos céus (Mateus
10:33).
O meio
universitário (acadêmico em geral) é, sem dúvida, um
dos lugares mais difíceis para se levar a mensagem do
evangelho. Isto em função das inúmeras filosofias que
são difundidas, sobretudo por professores que vêem
Cristo apenas como mais um entre os filósofos.
Um bom
exemplo disso é o livro " O Mundo de Sofia",
quem já leu sabe do que estou falando. Felizmente, não
precisamos ir muito longe para revermos esse conceito.
Jesus
Cristo foi o único homem que ressuscitou. E
é isso que vamos apresentar no contexto a seguir. Para
o crente em Jesus, não são necessárias provas históricas/geográficas/físicas/arqueológicas/literárias...
As
experiências da vida cristã são suficientes para
carimbar a bíblia com um selo de autenticidade. Mas,
como Deus é perfeito e quer revelar a sua verdade (que
é diferente da busca incansável de Sócrates, Epicuro,
Hegel, Kant, Max...pelo "real") a todos,
existem evidências de que Cristo venceu a morte capazes
de satisfazer os mais céticos intelectuais.
Vamos
aos fatos:
O texto
a seguir é baseado no estudo do teólogo americano Josh
MacDowell(1) e publicado no livro Ele
Andou Entre Nós - Evidências do Jesus Histórico.
Editora Candeia, 1995. O apologeta é um dos líderes
da "Cruzada Estudantil e Profissional para
Cristo" e já proferiu palestras para cerca de 10
milhões de estudantes em mais de 600 universidades de
mais de 60 países, inclusive no Brasil.
O autor
tem dezenas de livros publicados que apresentam as mais
convincentes evidências para a autenticidade dos
relatos dos evangelhos, abrangendo os mais diversos
ramos da ciência, incluindo os citados anteriormente.
Nesse
estudo, vou me cercar da questão histórica que trata
da transformação dos apóstolos após a expiação de
Cristo.
QUEM
MORRERIA POR UMA MENTIRA
O
cristianismo e os 27 livros que falam do Messias e do
surgimento da igreja são baseados em relatos de pessoas
que conviveram com Ele, ou que ouviram de testemunhas
oculares. Em uma clássica definição para a História
como ciência se diz: "conhecimento do passado
baseado em testemunho". Pois bem, o cristianismo é
prova desta afirmativa.
Relatos
históricos confiáveis (a enciclopédia britânica, por
exemplo) dão conta de que dos dozes apóstolos de
Jesus, onze morreram como mártires*, ou seja, foram
torturados, açoitados e enfrentaram a morte por causa
de duas coisas: 1 - a ressurreição de Jesus; e 2 - sua
cresça nEle como Filho de Deus. Sendo assim, seus
escritos (o Novo Testamento) e testemunhos são eficazes
enquanto sua veracidade. Certo? certo!, mas vamos aos
argumentos:
A
reivindicação daqueles que ouvem esta conclusão
seria: "muita gente já morreu por causa de uma
mentira; o que isto prova? ".
É
verdade, muitos são enganados e dão suas vidas por uma
mentira, acreditando ser uma verdade. "Mas será
que isto aconteceu com os seguidores de Jesus?. As evidências
levam-nos a crer que não". Ou você já viu
alguém morrer por algo que tinha certeza ser falso.
Se os
discípulos não tivessem certeza da ressurreição,
eles seriam lembrados como os mais loucos de todos os
tempos, especialmente pela forma como pereceram.
Se a
ressurreição de Jesus fosse uma farsa, eles saberiam
disso. Então, não haveria porque morrer por uma
mentira.
Ao se
confirmar o que tinha sido prometido pelo mestre (a
ressurreição), suas vidas e testemunho passaram a
refletir tal acontecimento. Diversas são as passagens bíblicas
que revelam o evento, observe algumas:
"Ao
qual Deus ressuscitou, rompendo os grilhões da morte,
pois não era possível que fosse retido por ela".
"Ora, a este Jesus, Deus ressuscitou, do que todos
nós somos testemunhas" (Atos 2:24,32).
"que
foi sepultado; que foi ressuscitado ao terceiro dia,
segundo as Escrituras;que apareceu a Cefas, e depois aos
doze; depois apareceu a mais de quinhentos irmãos duma
vez, dos quais vive ainda a maior parte, mas alguns já
dormiram; depois apareceu a Tiago, então a todos os apóstolos;
e por derradeiro de todos apareceu também a mim, como a
um abortivo. Pois eu sou o menor dos apóstolos, que nem
sou digno de ser chamado apóstolo, porque persegui a
igreja de Deus" (I Cor. 15: 4-9).
"Nós
somos testemunhas de tudo quanto fez, tanto na terra dos
judeus como em Jerusalém; ao qual mataram, pendurando-o
num madeiro. A este ressuscitou Deus ao terceiro dia e
lhe concedeu que se manifestasse, não a todo povo, mas
às testemunhas que Deus antes ordenara; a nós, que
comemos e bebemos juntamente com ele depois que
ressurgiu dentre os mortos" (Atos 10:39-41).
Outras:
Lucas 24:48; Atos 5:32; Atos 26:16; Lucas 15:27; I Coríntios
15: 15; Atos 1:8; Atos 13:31; I João 1:2; Atos 3:15;
Atos 22:15; Atos 4:33; Atos 23:11.
Ver
para morrer
Contudo,
antes que a igreja começasse a tomar corpo através dos
testemunhos e da vida dos seguidores - igreja esta que
chegou até nós em função disso - os próprios apóstolos
tiveram que ser irrefutavelmente convencidos do milagre
da ressurreição.
Um parêntese:
A palavra milagre pode parecer um pouco desanimadora
para quem está a procura de fatos históricos, a questão
é que o cristianismo e, sobretudo, a Bíblia Sagrada, são
sustentados por este acontecimento.
Se
retirarmos os milagres registrados na Bíblia - este
livro que sobreviveu "milagrosamente" após
anos de perseguição, e o verdadeiro estudioso secular
sabe disso - ela se tornaria apenas mais um livro histórico
que remonta coisas do passado e, com certeza, não teria
tanta importância para a humanidade.
Pois
bem, este livro nos mostra que os seguidores de Jesus
voltaram às suas atividades anteriores após observarem
que o mestre não vencera a morte como prometera. O
sonho havia acabado. O Messias que fazia milagres não pôde
salvar-se a si mesmo.
Em uma de suas narrativas, o evangelista João mostra
claramente que os discípulos voltaram à vida peculiar
de antes, em vista do fracasso daquele que havia sido
crucificado:
"Depois
disto manifestou-se Jesus outra vez aos discípulos
junto do mar de Tiberíades; e manifestou-se deste modo:
Estavam juntos Simão Pedro, Tomé, chamado Dídimo,
Natanael, que era de Caná da Galiléia, os filhos de
Zebedeu, e outros dois dos seus discípulos. Disse-lhes
Simão Pedro: Vou pescar. Responderam-lhe: Nós também
vamos contigo. Saíram e entraram no barco; e naquela
noite nada apanharam. Mas ao romper da manhã, Jesus se
apresentou na praia; todavia os discípulos não sabiam
que era ele. Disse-lhes, pois, Jesus: Filhos, não
tendes nada que comer? Responderam-lhe: Não. Disse-lhes
ele: Lançai a rede à direita do barco, e achareis. Lançaram-na,
pois, e já não a podiam puxar por causa da grande
quantidade de peixes. Então aquele discípulo a quem
Jesus amava disse a Pedro: Senhor. Quando, pois, Simão
Pedro ouviu que era o Senhor, cingiu-se com a túnica,
porque estava despido, e lançou-se ao mar; mas os
outros discípulos vieram no barquinho, puxando a rede
com os peixes, porque não estavam distantes da terra
senão cerca de duzentos côvados. Ora, ao saltarem em
terra, viram ali brasas, e um peixe posto em cima delas,
e pão. Disse-lhes Jesus: Trazei alguns dos peixes que
agora apanhastes. Entrou Simão Pedro no barco e puxou a
rede para terra, cheia de cento e cinqüenta e três
grandes peixes; e, apesar de serem tantos, não se
rompeu a rede. Disse-lhes Jesus: Vinde, comei. Nenhum
dos discípulos ousava perguntar-lhe: Quem és tu?
sabendo que era o Senhor. Chegou Jesus, tomou o pão e
deu-lho, e semelhantemente o peixe. Foi esta a terceira
vez que Jesus se manifestou aos seus discípulos, depois
de ter ressurgido dentre os mortos" (Jo. 21: 1-14).
Interessante
é observar este fato: Mesmo com todos os sinais
presenciados nos últimos três anos, as palavras da
ressurreição não foram levadas a sério. O fato é
que "Nisto, todos o deixaram e fugiram", como
escreveu Marcos (Mc. 15:50).
Mais a
frente discutiremos o interesse dos discípulos enquanto
estavam com o Messias.
O
importante, agora, é notarmos que as dúvidas dos apóstolos
teriam que ser totalmente dissipadas. Somente assim é
possível uma explicação sustentável para o desfecho
de suas vidas.
Tomé,
por exemplo, precisou tocar nas mãos machucadas pelos
pregos para crer. Todos conhecem a história (e até o
ditado). "Ele foi enganado? Ele perdeu a vida para
mostrar que não".
E
Pedro, observe: "Ele negou Jesus várias vezes
durante o julgamento deste e finalmente desertou. Mas
alguma coisa aconteceu com o covarde. Pouco tempo depois
da crucificação e sepultamento de Jesus, Pedro
apareceu em Jerusalém, embora ameaçado de morte,
pregando ousadamente que Jesus era o Cristo e havia
ressuscitado.
Pedro
foi finalmente cruscificado de cabeça para baixo. Será
que ele foi enganado? O que o transformou tão
drasticamente num leão corajoso para Jesus? Porque
estava, agora, disposto a morrer por Ele? A única
explicação que me satisfaz é I Coríntios 15:5 -
"E apareceu a Cefas (Pedro)" (Jo. 1:42).
Um
outro exemplo ainda mais evidente de alguém convencido
contra a sua vontade foi o de Tiago, o irmão de Jesus (
(Mat. 13:55; Mc 6:3). Mesmo não tendo pertencido aos
doze primeiros apóstolos originais, ele, assim como
Paulo e Barnabé, passou a ter o mesmo título.
Mac
Dowell comenta que deve ter sido humilhante para Tiago e
seus irmãos verem um membro de sua casa falando e
fazendo coisas estranhas ("eu sou o o bom pastor;
conheço as minhas ovelhas, e elas me conhecem a
mim" - Jo. 10:14, "Eu sou a videira, vós os
ramos" - Jo. 15: 5, entre muitas outras),
ridicularizando o nome da família.
Acompanhando
este raciocínio, fica fácil entender porque nenhum dos
outros filhos Maria seguira Jesus enquanto este esteve
ministrando.
Mas
algo muito estranho aconteceu com Tiago pouco tempo
depois da cruscificação. Ele se tornou um dos mais
obstinados pregadores que o mundo já viu e liderou a
igreja em Jerusalém anunciando o inacreditável:
"Jesus morreu por causa dos pecados, havia
ressucitado, e estava vivo".
Na Bíblia,
a epístolas que escreveu diz na introdução:
"Tiago, servo de Deus e do Senhor Jesus Cristo, seu
irmão".
O fim
de Tiago é descrito pelo maior historiador judeu, que
nasceu poucos anos após a morte de Cristo, Josefo: Ele
foi morto como mártir, apedrejado pelo sumo sacerdote
Ananias. A explicação para tudo isso está em I Coríntios
15:7 - "Depois disto, foi visto por Tiago".
"Se
a ressurreição fosse uma mentira, os apóstolos sabiam
disso. Estariam eles perpetuando um embuste colossal?
Essa possibilidade é inconsistente sobre o que sabemos
sobre suas vidas. Eles condenavam pessoalmente a mentira
e salientavam a honestidade. "
Impostores
ou convencidos - o que dizem as autoridades
A
conduta destemida dos apóstolos imediatamente depois de
convencidos da ressureição torna improvável que tudo
não passasse de uma fraude.
Os seguidores de Jesus não podiam ter enfrentado a
tortura e a morte a não ser que estivessem convencidos
da ressurreição dEle. "Seria difícil explicar
como nenhum se acovardou diante da pressão, se fossem
realmente embusteiros".
O
reitor da St. John's College, de Nottingham, apresenta
que a ressurreição foi uma
crença que transformou os seguidores abatidos de um
rabino cruscificado em testemunhas corajosas e martires
da primeira igreja. Esta foi uma crença que separou os
seguidores de Jesus dos judeus e os transformou na
comunidade da ressurreição. Era possível prendê-los,
açoitá-los e matá-los, mas ninguém conseguia fazê-los
negar a sua convicção de que 'no terceiro dia Ele
ressuscitou'.(PaGE.IBR, Prefácio do
Editor).
O filósofo
francês Pascal também escreve sobre o assunto:
A
afirmação de que os apóstolos eram impostores é
absolutamente absurda. Vamos a acusação até a sua
conclusão lógica: Imaginemos doze homens de reunindo
após a morte de Jesus Cristo e entrando numa conspiração
para dizer que Ele ressuscitou. Isto teria constituído
um ataque tanto sobre as autoridades civis como
religiosas. O coração do homem é estranhamente dado
à volubilidade e mudança; ele é arrastado por
promessas, tentado por coisas materiais. Se qualquer
desses homens tivesse cedido à tentações tão
sedutoras, ou se submetido aos argumentos mais fortes da
prisão (ou ) tortura, todos estariam perdidos (Citado
em GIR.EP 187).
Sobre a
morte de Pedro, o erudito inglês Herbert Workman
registrou:
"Pedro,
como dissera o Senhor, foi 'cingido' por outrem e
'levado' para morrer, ao longo da Via Aureliana, até um
lugar junto aos jardins de Nero no monte Vaticano, onde
tanto de seus irmãos já haviam sofrido morte cruel. A
seu pedido, ele foi cruscificado de cabeça para baixo,
por julgar-se indigno de sofrer como o seu mestre"
(WoH.MEC 18-19).
Segundo
a enciclopédia britânica, Orígenes também registra a
cruscificação de Pedro de cabeça para baixo.
Por sua
vez, o professor e especialista em extrair a verdade de
uma testemunha e determinar se ela estava ou não
mentido, Dr. Simon Greenleaf, ex-professor Régio de
Direito da Universidade de Harvard e autor de uma série
de três volumes sobre leis de evidência legal,
observou que:
"Os
anais da guerra militar têm poucos exemplos de constância
heróica, paciência e coragem persistente. Eles tinham
todos os motivos possíveis para revisar cuidadosamente
as bases da sua fé e as evidências dos grandes fatos e
verdades que afirmavam"
(GrS.ET 29).
DE QUE VALE UM MESSIAS MORTO?
Como
dissemos no início, muitas pessoas morrem por uma boa
causa. Veja o exemplo do estudante em San Diego que pôs
fogo em seu corpo e queimou até morrer em protesto
conta a guerra do Vietnã.
Na década
de 60, o mundo ficou pasmo com as tochas humanas de
monges budistas que morreram para chamar a atenção do
mundo para o Sudoeste da Ásia. Recentemente, inúmeros
muçu
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lmanos detonaram seus corpos em nome de Alá e da
libertação da Palestina.
Todos,
de certa forma, tinham em uma boa desculpa para morrer,
mas a boa causa dos apóstolos acabara de derramar todo
o seu sangue numa cruz.
Depois
de três anos de peregrinação e sinais miraculosos
acontecendo diariamente diante de seus olhos,
confirmando o que havia sido escrito pelos profetas do
passado, eles estavam convencidos de que Jesus iria
estabelecer o reino de Deus e reinar sobre o povo de
Israel. A morte do Messias jamais passara por suas
mentes, apesar de não compreenderem os ensaios de Jesus
sobre a sua redenção
Contudo,
precisamos entender o que significava o "reino de
Deus" para os judeus naquela ocasião. Centenas de
livros e filmes apócrifo sobre a vida de Jesus e seus
seguidores apresentam um cenário sustentado por desejos
nacionalistas. Um grupo de homens que viam nos sinais
praticados pelo Cristo uma saída para os anos de
escravidão romana.
Afora
os exageros e as viagens alucinógenas presentes em
muitas produções, como as que são vistas no infame
"A última Tentação de Cristo", de Scorsese,
há um fundo de razão em algumas especulações,
sobretudo no que diz respeito a confiança depositada em
Jesus como aquele que estabeleceria a vitória judaica.
Mesmo
atraindo multidões, "a vida e os ensinamentos de
Jesus estavam em enorme conflito com a especulação
messiânica judia daqueles dias. Desde a infância, o
judeu era ensinado que quando o messias chegasse ele
seria um líder político de personalidade forte e
vigorosa. Ele libertaria os judeus do cativeiro e
restauraria Israel ao seu lugar de direito. Um messias
sofredor estava completamente fora das cogitações
judias sobre o messiado".
Acompanhe
o que diz o ex-professor de Teologia Bíblica no Seminário
de Union, em Nova Iorque, E.F. Scott, sobre o cenário
histórico nos dias de Jesus:
Aqueles
eram dias de intensa agitação. Os líderes religiosos
achavam quase impossível restringir o ardor do povo,
que aguardava em todo o lugar pelo aparecimento do
Salvador prometido. Esta disposição de expectativa
tinha sido, sem dúvida, aumentada pelos eventos da história
recente.
Por
mais de uma geração, os romanos estavam reprimindo a
liberdade dos judeus e suas medidas de repressão haviam
estimulado o espírito de patriotismo, no sentido de uma
vida mais ardente. O sonho de um livramento milagroso e
deum rei messiânico que iria efetuar essa libertação,
assumia um novo significado naquele momento crítico;
mais isso em si não era novidade nenhuma. Por trás do
fermento, do qual temos evidências nos evangelhos,
podemos distinguir um longo período de crescente
expectativa.
Para
o público em geral, o Messias permanecia o que fora
para Isaías e seus conteporâneos - o Filho de Davi que
traria vitória e prosperidade à nação judia. À luz
das referências dos evangelhos, não se pode
praticamente duvidar de que o conceito popular sobre o
Messias era principalmente nacional e político. (ScEF.KM
55).
A
Enciclopédia Judaica reforça esta idéia quando diz
que os judeus "ansiavam
pelo salvador prometido da Casa de Davi que os
libertaria do jugo do odiado usurpador estrangeiro,
poria fim ao ímpio reinado romano e estabeleceria seu
próprio reino de paz e justiça em lugar dele".
De
posse desse crença, os apóstolos não concebiam o
destino obscuro preposto pelo próprio libertador:
"e disse-lhes: É necessário que o Filho do homem
padeça muitas coisas, que seja rejeitado pelos anciãos,
pelos principais sacerdotes e escribas, que seja morto,
e que ao terceiro dia ressuscite" (Lucas 9:22)
Para o
teólogo escocês A.B. Bruce, parece "ter
havido uma esperança de que a sua visão das
coisas fosse muito sombria, e a sua preocupação não
tivesse fundamento... um Cristo crucificado era um escândalo
e uma contradição para os apóstolos; assim como
continuou sendo para a maioria do povo judeu depois de o
Senhor ter ascendido à glória" (BrA.TT
177).
É possível
perceber, claramente, em algumas atitudes dos apóstolos,
registradas no Novo Testamento, que eles esperam um
Jesus que governasse como um rei.
Em
certa ocasião, contada em Marcos 10:32-38, quando Jesus
se referia a sua condenação em Jerusalém, os irmãos
Tiago e João, mesmo se entender aquilo, lhe pediram
para prometer que no seu reino eles se sentariam à sua
direita e à sua esquerda (37).
A
atitude é mais uma prova de que eles esperavam um
governante político, e não um messias crucificado.
Outra passagem, Lucas 18:31-34, também revela que a
cruz era algo inconcebível para eles.
"Em
vista de seu ambiente e treinamento, eles criam que
participavam de uma coisa boa. Mas veio, então, o Calvário.
Todas as suas esperanças foram por água abaixo. Eles
voltaram para casa profundamente
desanimados"(p.139).
O Dr.
George Eldon Ladd, professor do Novo Testamento no Seminário
Teológico Fuller, escreve:
Também
por isto os discípulos o abandonaram quando foi preso.
A mente deles estava tão completamente imbuída com a
idéia de um Messias vencedor cujo papel era subjugar os
inimigos que, quando o viram lacerado e sangrando sob os
açoites, um prisioneiro indefeso nas mãos de Pilatos,
e quando o viram ser levado embora, pregado numa cruz,
para morrer como um criminoso comum, todas as esperanças
messiânicas quanto a Jesus desmoronaram.
Um
fato psicológico verdadeiro é que ouvimos somente
aquilo que estamos preparados para ouvir. As predições
de Jesus quanto ao seu sofrimento e morte caíram em
ouvidos moucos. Os discípulos, apesar de advertidos, não
estavam preparados para isso" (LaGE.IBR
38)
"Mas,
felizmente, mais uma vez podemos dizer: algumas semanas
depois da crucificação, em absoluto contrate com as
suas dúvidas anteriores, eles foram vistos exatamente
em Jerusalém proclamando Jesus como Salvador e Senhor,
o Messias de Deus."
Mac
Dowell comenta: "A única explicação plausível
para esta mudança é I Coríntios 15:5 - "(Ele)
apareceu...aos doze". De que outro modo os discípulos
desanimados poderiam se dispor a sofrer e morrer por um
Messias crucificado? Ele certamente 'se apresentou vivo,
com muitas provas incontestáveis, aparecendo-lhes
durante quarenta dias' (Atos 1.3)
É
verdade, muitos morreram por uma boa causa, mas, para os
apóstolos, a boa causa propriamente dita morrera na
cruz. Só a sua ressurreição é resultante contato com
seus seguidores os convenceria de que Jesus era o
Messias. Eles testificaram quanto a isto, não só com
os seus lábios e suas vidas, mas também com a sua
morte"
Gevan
Oliveira é
Jornalista
e evangélico Batista há 19
anos
gdoliveira@sfiec.org.br